sexta-feira, 5 de julho de 2013

Livros - O Nome do Vento


Antes mesmo que eu me envolvesse com a leitura de 'O Nome do Vento', já havia me tornado um grande fã de Patrick Roothfus. Muita gente, dentre amigos e conhecidos amantes da literatura fantástica, me indicou o livro que acompanhava Kvothe, o Sem-Sangue, entre diversos outros nomes marcantes, por suas aventuras. Um dia, quando o livro já esperava na minha estante de próximas leituras há muito tempo, resolvi dar uma chance às mais de 650 páginas deste primeiro volume, e eis que me surpreendo com um dos romances mais agradáveis que já tive a oportunidade de ler na vida. Mas o que há de tão especial em 'O Nome do Vento', você me pergunta. É sobre isso mesmo que falarei nessa postagem.
Nos Quatro Cantos, histórias vêm e vão, e diversas delas falam sobre um guerreiro de cabelos vermelhos e seus grandes feitos, da Universidade adiante. Mas o Cronista, um homem que coleciona as histórias mais fabulosas do mundo em seus livros, encontra apenas um hospedeiro de nome Kote, dono da estalagem Marco do Percurso, simpático, na medida do possível, mas não uma lenda. Mas as aparências enganam e, decidido a conquistar sua história, o Cronista entra num acordo com Kvothe: por três dias, escutará a história de sua vida, escrevendo-a, sem nada alterar das palavras do ruivo. E assim, ao mesmo tempo em que vivenciam coisas surpreendentes na estalagem, acompanhamos a vida e as aventuras de Seis-Cordas, neste primeiro dia, de sua infância na trupe à Universidade, onde viveu suas primeiras aventuras,
A escrita de Roothfus carrega algo de especial, certamente. Seu nível de detalhe é absurdamente eficaz, o que poderia muito tempo tornar-se chato e massante, mas acaba por dar vida de maneira maravilhosa ao universo criado pelo autor. Tudo é vivo, desde a economia aos costumes e aos dialetos inventados por Patrick; as coisas andam em movimentos dançantes, enquanto Kvothe aprende mais e mais sobre o mundo conforme se aventura por ele. A narrativa, inicialmente, desenvolve-se de maneira lenta, mas logo ganha um ritmo alucinante, mesmo que não seja completamente dotada de ação. Nos momentos em que a ação existe, no entanto, não deixa nada a desejar, criando passagens memoráveis e cenas que chamam a atenção do leitor para o modo imparcial e frio da descrição dos acontecimentos, algo que dificilmente encontramos nos romances. Essa transição de cenas medianas para as mais ágeis, e falo isso como pseudo-escritor, também, é algo difícil de se fazer. Se sua história se acomoda na calmaria, quando a ação chega, você tem um ritmo diferente para escrevê-la. Se sua história banha-se na ação, as cenas de calmaria podem, presumidamente, receber uma velocidade desnecessária, tornando-se corridas contra um tempo que inexiste. Mas Roothfus conseguiu adaptar as sequências de maneira esplendorosa, deixando-as igualmente satisfatórias, o que não é único de sua escrita, mas certamente algo raro e que deve ser reconhecido.
E os personagens, ah, os personagens! Roothfus tem uma capacidade incrível de criar rostos marcantes que desaparecem em diversas partes do livro. Desde o início, com Abenthy, passando por Trapis e seu "que foi, que foi, quietinho, quietinho", sem esquecer de Elodin, Auri (que, na minha opinião, passa a ser a personagem mais envolvente do livro, mesmo com raras aparições), Denna e seu ciclo de desaparecimento, Simmon e Wilem e suas táticas falhas sobre as mulheres, Manet, Kilvin, Elxa Dal e todos os demais professores (mesmo Hemme e Lorren, quase que odiados), Feila, o deplorável Ambrose e muitos outros. Os nomes são bastante criativos e originais, bem como suas personalidades, tão vivas quanto a do protagonista, tão palpáveis que se tornam pessoas, físicas e vívidas, presentes tanto nos Quatro Cantos quanto na mente do leitor, como amigos inesquecíveis.
Ao fim do livro, conhecendo mais sobre a infância de Kvothe, ficamos com um misterioso gosto do saber. Sabemos tanto, e ao mesmo tempo não sabemos nada sobre esse personagem envolvente. Há tantos mistérios para se resolver que sequer imaginamos como as coisas podem continuar... Mas elas continuam. O Temor do Sábio, já lançado no Brasil, conta com 960 páginas, narrando mais e mais aventuras de Kvothe em sua busca pelo Chandriano numa vingança tênue e vagarosa. E tudo o que tenho a dizer é: leia. Se gostou de Senhor dos Anéis, se gostou de Harry Potter, se gostou de qualquer outro livro de fantasia, em suma medievais. Leia, sem se assustar com a grande quantidade de páginas, e leia sem medo de se arrastar nas partes mais descritivas. Prepare-se para encontrar um cenário fabuloso, e se envolver cada vez mais com uma história que, com seus altos e baixos, consegue encantar qualquer leito que se preze.

Nenhum comentário:

Postar um comentário