Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Resenha - O Oceano no Fim do Caminho, de Neil Gaiman


Será que todos nos lembramos verdadeiramente das memórias da infância?
Em 202 páginas de seu mais novo romance adulto, Neil Gaiman nos coloca para pensar nesses detalhes. E se a nossa vida fora diferente, de alguma forma, na infância, mas a fase adulta tenha nos distanciado tanto de tais pensamentos que, hoje, sequer nos recordamos de nossa própria história? É essa a premissa de 'O Oceano no Fim do Caminho', que nos mostra, pela visão de um singelo garoto de sete anos, a fantasia de uma vida comum, que nem por isso deixa de ser fantástica.
Acompanhamos, de início, o mesmo garoto, quarenta anos mais tarde, retornando ao local de sua infância. Sentado diante do lago que acostumara-se a chamar de Oceano, ele só então se lembra de tudo o que esqueceu, e é essa a verdadeira história do romance. Vivendo junto a uma típica família inglesa, cujas dificuldades financeiras se mostram aparentes, o garoto se vê embrenhado numa fábula incrível que, narrada pela perspectiva de uma criança de sua faixa etária, transforma toda a fantasia de uma forma maravilhosa. É possível se ver ali, na mente daquele garotinho, relembrando de cada passo da infância, de cada pensamento, tão similar aos dele, de cada aprendizado errôneo, por meio de tentativa e erro. E quem poderá dizer que não presenciou a mesma fantasia que ele, naqueles tempos?
Temos, como coadjuvantes tão protagonistas que por vezes esquecemos de que são simples auxiliares na história, as três mulheres Hempstock. Misteriosas e fascinantes, elas estão sempre ali, próximas ao Oceano de Lettie, a mais jovem dentre as três e amiga do garoto, quatro anos mais velha e super protetora, e são elas o ponto forte da narrativa. Não há um grande suspense sobre a realidade dentre elas, pois é certo que, desde o início, o sobrenatural e o fantástico as acompanham. Mas isso é somente a ponta do iceberg. As atitudes, os comentários, a vida das Hempstock, tudo isso é incrível, e elas se mesclam à história do menino de sete anos de tal forma que ele próprio não se vê sem elas.
E, numa história de criança, não poderiam faltar seus medos e, cá entre nós, o medo das crianças é sempre o pior. Desde o medo da perda, da saudade, do desconhecido e do irreal, até o medo do escuro, ou o temor de se lembrar que a noite anterior foi real. Há, também, a inocência de quem vê algo ocorrer, mas não enxerga a maldade por trás de tal ato, a ingenuidade de quem assiste o erro imaginando o que aquilo significa para a humanidade, para os adultos. Entre os medos infantis e a inocência dos pequenos, vemos o Oceano no Fim do Caminho, que na verdade sequer passa, aparentemente, de um mero lago, ganhar proporções inimagináveis.
E a fantasia urbana e obscura de Gaiman está sempre em alta. Não é pra menos que ele se tornou meu autor favorito: as descrições, simples, rápidas e eficientes, sem enrolações, são fascinantes. Em menos de trinta páginas do livro, na cena do aniversário, o arrepio que me assolou por sua narrativa foi indescritível. Há, por trás daquelas simples palavras, uma mágica que não se pode explicar. É como se ambientar num local imaginário, vivenciar uma história que não é a sua, tudo isso num piscar de olhos e, ao retornar à sua própria história, quando o livro se mostra aberto diante de seus olhos, você lê, se familiariza àquilo que acabou de viver em seus pensamentos e, assim, sente-se dentro daquela mentira verdadeira, coexistindo de uma maneira tão surreal que, de certo modo, aquela torna-se a sua história, também.
E, se tenho de apontar um defeito em tal história, é seu tamanho. Curta, ágil, veloz, o que não deixa de ser um grande obstáculo para quem esperava desde 2005 para um trabalho do tipo do autor. Não é um Deuses Americanos, certamente, nem mesmo um Os Filhos de Anansi, mas tem seu vigor, seu charme e sua paixão fervorosa.
Terminei o livro com uma salva de palmas a Gaiman, por mais uma vez ter me ensinado o básico de ser escritor, provando-me que nada é melhor do que escrever com a alma, e terminei-o com um gosto de quero mais, seja desse cenário, seja de qualquer mundo que nasça debaixo daqueles cabelos desajeitados, como se loucos, de Neil.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Livros - O Nome do Vento


Antes mesmo que eu me envolvesse com a leitura de 'O Nome do Vento', já havia me tornado um grande fã de Patrick Roothfus. Muita gente, dentre amigos e conhecidos amantes da literatura fantástica, me indicou o livro que acompanhava Kvothe, o Sem-Sangue, entre diversos outros nomes marcantes, por suas aventuras. Um dia, quando o livro já esperava na minha estante de próximas leituras há muito tempo, resolvi dar uma chance às mais de 650 páginas deste primeiro volume, e eis que me surpreendo com um dos romances mais agradáveis que já tive a oportunidade de ler na vida. Mas o que há de tão especial em 'O Nome do Vento', você me pergunta. É sobre isso mesmo que falarei nessa postagem.
Nos Quatro Cantos, histórias vêm e vão, e diversas delas falam sobre um guerreiro de cabelos vermelhos e seus grandes feitos, da Universidade adiante. Mas o Cronista, um homem que coleciona as histórias mais fabulosas do mundo em seus livros, encontra apenas um hospedeiro de nome Kote, dono da estalagem Marco do Percurso, simpático, na medida do possível, mas não uma lenda. Mas as aparências enganam e, decidido a conquistar sua história, o Cronista entra num acordo com Kvothe: por três dias, escutará a história de sua vida, escrevendo-a, sem nada alterar das palavras do ruivo. E assim, ao mesmo tempo em que vivenciam coisas surpreendentes na estalagem, acompanhamos a vida e as aventuras de Seis-Cordas, neste primeiro dia, de sua infância na trupe à Universidade, onde viveu suas primeiras aventuras,
A escrita de Roothfus carrega algo de especial, certamente. Seu nível de detalhe é absurdamente eficaz, o que poderia muito tempo tornar-se chato e massante, mas acaba por dar vida de maneira maravilhosa ao universo criado pelo autor. Tudo é vivo, desde a economia aos costumes e aos dialetos inventados por Patrick; as coisas andam em movimentos dançantes, enquanto Kvothe aprende mais e mais sobre o mundo conforme se aventura por ele. A narrativa, inicialmente, desenvolve-se de maneira lenta, mas logo ganha um ritmo alucinante, mesmo que não seja completamente dotada de ação. Nos momentos em que a ação existe, no entanto, não deixa nada a desejar, criando passagens memoráveis e cenas que chamam a atenção do leitor para o modo imparcial e frio da descrição dos acontecimentos, algo que dificilmente encontramos nos romances. Essa transição de cenas medianas para as mais ágeis, e falo isso como pseudo-escritor, também, é algo difícil de se fazer. Se sua história se acomoda na calmaria, quando a ação chega, você tem um ritmo diferente para escrevê-la. Se sua história banha-se na ação, as cenas de calmaria podem, presumidamente, receber uma velocidade desnecessária, tornando-se corridas contra um tempo que inexiste. Mas Roothfus conseguiu adaptar as sequências de maneira esplendorosa, deixando-as igualmente satisfatórias, o que não é único de sua escrita, mas certamente algo raro e que deve ser reconhecido.
E os personagens, ah, os personagens! Roothfus tem uma capacidade incrível de criar rostos marcantes que desaparecem em diversas partes do livro. Desde o início, com Abenthy, passando por Trapis e seu "que foi, que foi, quietinho, quietinho", sem esquecer de Elodin, Auri (que, na minha opinião, passa a ser a personagem mais envolvente do livro, mesmo com raras aparições), Denna e seu ciclo de desaparecimento, Simmon e Wilem e suas táticas falhas sobre as mulheres, Manet, Kilvin, Elxa Dal e todos os demais professores (mesmo Hemme e Lorren, quase que odiados), Feila, o deplorável Ambrose e muitos outros. Os nomes são bastante criativos e originais, bem como suas personalidades, tão vivas quanto a do protagonista, tão palpáveis que se tornam pessoas, físicas e vívidas, presentes tanto nos Quatro Cantos quanto na mente do leitor, como amigos inesquecíveis.
Ao fim do livro, conhecendo mais sobre a infância de Kvothe, ficamos com um misterioso gosto do saber. Sabemos tanto, e ao mesmo tempo não sabemos nada sobre esse personagem envolvente. Há tantos mistérios para se resolver que sequer imaginamos como as coisas podem continuar... Mas elas continuam. O Temor do Sábio, já lançado no Brasil, conta com 960 páginas, narrando mais e mais aventuras de Kvothe em sua busca pelo Chandriano numa vingança tênue e vagarosa. E tudo o que tenho a dizer é: leia. Se gostou de Senhor dos Anéis, se gostou de Harry Potter, se gostou de qualquer outro livro de fantasia, em suma medievais. Leia, sem se assustar com a grande quantidade de páginas, e leia sem medo de se arrastar nas partes mais descritivas. Prepare-se para encontrar um cenário fabuloso, e se envolver cada vez mais com uma história que, com seus altos e baixos, consegue encantar qualquer leito que se preze.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Resenha - O Código Élfico, de Leonel Caldela


E chegaram ao fim as 574 páginas de O Código Élfico, o mais novo livro de Leonel Caldela. Admito que, para mim, é um prazer enorme, bem como uma tristeza sem igual, quando um livro do Caldela chega ao fim. Já deixei bem claro minha admiração pelo autor, que é, até então, meu favorito dentre os escritores nacionais. Depois da Trilogia Tormenta e da Duologia Terra de Urag, eu não sabia como ele poderia me surpreender. Esperei por mais medievalismo, por mais cavaleiros e feitos heroicos, por mais magia e narrações fantasiosas de terras distantes. E o que encontrei? Fantasia urbana. Uma história de fantasia e amor, sim, mas, acima de tudo, de pessoas, como ele próprio gosta de chamar. Uma história da humanidade, ainda que o próprio nome referencie aos elfos.
Mas o que exatamente é O Código Élfico?
Neste novo romance, Caldela nos apresenta a fictícia cidade de Santo Ossário, localizada no Brasil e dotada de uma história que poderia muito bem ser verdadeira! E é em Santo Ossário que conhecemos Nicole Manzini, a princesa das conspirações, com quem todas as lendas urbanas e fatos míticos resolveram acontecer de uma vez. Filha de um assassino em série famoso e coberta por um histórico de abduções e tantas outras estranhezas, Nicole é uma pessoa que tenta levar uma vida normal, mas cuja vida verdadeira sequer conhece o significado dessa palavra. Ela até tentou, por algum tempo, escapar de Santo Ossário, mas sabem como é, todo mundo volta um dia. Quando ela voltou, pensou que as coisas estariam melhores ou, ao menos, em seu devido lugar.
E aí ela conheceu um elfo.
Astarte é o último elfo jovem. Filho da Rainha Titânia, ele nasceu e foi treinado para ser o herdeiro de toda uma raça, ao mesmo tempo em que nascia na Terra, através de experimentos em laboratórios, para servir como elo para a passagem de todos os demais elfos. Mas esse é apenas o começo para uma trama repleta de reviravoltas, acontecimentos marcantes e uma criatividade sem igual.
O Código Élfico não é a melhor obra de Caldela, certamente. É fato inegável que o maior talento do autor está nas obras medievais, fato comprovado com seus cinco romances anteriores, em suma com O Crânio e o Corvo e Deus-Máquina, os dois livros mais bem citados pela crítica. Em se tratando de fantasia urbana, Leonel fez um excelente trabalho, e mais: aproveitou-se da fantasia de Arcádia, a terra dos elfos, para narrar o medieval pitoresco misturado ao contemporâneo do nosso mundo. O resultado é simplesmente épico, criando uma história com personalidade, personagens repletos de defeitos humanos, como humanos têm de ser, e características marcantes em sequências de cenas incríveis. Não existe um mistério surpreendente para ser descoberto, nem mesmo um acontecimento explosivo que destrua todos os clichês, mas apesar de ser uma história em que o desfecho era esperado, tudo nas obras de Caldela impressiona. Sabemos como será o final, temos total compreensão sobre o que vai acontecer na próxima cena, e mesmo assim ele nos surpreende, se não com os acontecimentos, ao menos com a forma com que eles são narrados.
Um ponto crucial que faz dessa história ser o que ela realmente é são os personagens, obviamente. A alma dos livros do Leonel se forma com base nos protagonistas, antagonistas e mesmo nos personagens secundários e terciários. As localidades, a cidade em si, tudo ganha vida nas descrições e nas bravatas do autor. Felix, o delegado Dutra, Abel, os Strauss, o Dragão, Salomão, os caçadores... cada um deles deixa sua marca ao fim da leitura. Nas últimas páginas, é impossível não se pegar pensando em cada nome, nas memórias que eles deixarão, nas atitudes que tomaram em certas cenas, coisas assim. Da mesma forma como os locais, em suma o mosteiro e o Coração de Santo Ossário, mas também a Fortaleza de Aubeleine e a própria Arcádia. É tudo tão vivo, tão impressionante, que é quase viável acreditar que essa cidade realmente tenha existido, encaixando-se em algum lugar invisível do nosso imenso país!
Ao fim, resta apenas esperar pela próxima história de Caldela, e torcer para que, em seu sétimo romance, o nível continue assim, sempre a subir! Seja nos confins da Tormenta, seja nas profecias de Urag, seja na histórica e surreal cidade de Santo Ossário, sempre há novas histórias para serem contadas, e sempre, sempre mesmo, existirão leitores ansiosos esperando que elas apareçam de uma vez, como se criadas em laboratório, como se mágicas e eternas.
E você, já desvendou O Código Élfico?

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O Oceano no Fim do Caminho, por Neil Gaiman


Postagem super rápida, apenas para divulgar uma notícia que me deixou bastante feliz! Hoje, quando circulava pela internet, deparei-me com ESTA POSTAGEM no site da Intrinseca, e muito me alegrei! Não é por menos: o Brasil será o único país que terá o novo livro de Neil Gaiman, O Oceano no Fim do Caminho, lançado no mesmo dia do lançamento americano! Sim, você não leu errado, a tradução brasileira estará à venda 18 de junho, daqui há pouco mais que 3 semanas, mesma data que o livro encontrará as prateleiras americanas! De acordo com o autor, seu novo romance trata sobre magia, o poder das histórias e como enfrentar a escuridão dentre de cada um de nós. É uma história sobre medo, amor, morte e famílias, ou seja, já podemos esperar mais uma leitura do nível de Deuses Americanos e Lugar Nenhum para apimentar nossas vidas repletas de fantasia.
E você, ansioso?

domingo, 5 de maio de 2013

Maio, o meu mês de escritor!

Hoje é um domingo para relembrar o quanto eu amo escrever! Posso não ficar milionário, posso não ficar famoso, posso não vender milhares de livros, mas eu sei, e sempre vou saber, que fiz o meu melhor com as palavras, e pra mim isso é muito mais que o suficiente. Não há sensação melhor do que jogar a sua vida, as suas ideias e os seus pensamentos numa folha em branco e vê-los ganhar forma, criar vida, cintilar como se tivessem alma própria. Talvez hoje não seja o dia certo, que infelizmente não me recordo com exatidão, mas em algum dia de maio de 2006 eu abri um caderno e rabisquei a minha primeira história de verdade, que talvez não fosse bem uma história de verdade, mas marca o início da realização de um sonho, e o sonho sim, mais que certamente, era verdadeiro. 7 anos atrás eu decidia que queria aquilo para a minha vida, e podem se passar mais 5, mais 10, mais 50 anos: tal decisão nunca vai mudar. Talvez eu não tenha nascido para escrever, como talvez poucas pessoas realmente tenham nascido para fazer o que, hoje, fazem, mas é essa a maior virtude da vida: ela nos surpreende. E, se eu não nasci para escrever, que eu, ao menos, escreva até o último de meus dias, por birra, por vontade, por sonho ou mesmo sem motivo nenhum.
Agora, que tal escrevermos um pouco?

Light Novel - Tarot Café - A Caçada Selvagem


Tarot Café, para quem desconhece, é uma série de sete volumes oriunda da Coréia, que nos apresenta Pamela, a dona do Tarot Café, um lugar aparentemente comum, mas que, após a meia-noite, recebe convidados como lobisomens, fadas e similares. A NewPop, editora brasileira responsável por diversos lançamentos de mangás e afins, trouxe, além dos 7 volumes quadrinizados, a Light Novel 'A Caçada Selvagem', do mesmo universo, e é sobre ela que falarei agora.
Na Light Novel, acompanhamos a história de Bryn e Jack, um casal particularmente comum, com seus problemas e suas desavenças, que acaba por se envolver numa dificuldade muito maior do que brigas e intrigas. Quando Jack desaparece misteriosamente, Bryn se mostra sensitiva a sonhos de significados peculiares e sentimentos intensos e, na busca de reencontrar sua alma gêmea, procura por Pamela e suas leituras de tarô, para que assim possa descobrir o que realmente aconteceu com seu amado. Isso tudo acontece em equivalência a crises existenciais, divergências nos trabalhos e oportunidades únicas para Bryn, que é uma atriz não tão conhecida, o que nos faz encontrar uma humanidade sem igual nos personagens. Mesmo Pamela, imortal após um acidente de percurso que envolveu o amor de sua vida, se mostra razoavelmente tocada pela história do casal que, entre flashes e memórias, nos é apresentada numa narrativa impecável, digna dos grandes romances ingleses.
A história se desenvolve sem pressa, o que, às vezes, pode tirar um pouco daquela animação, mas o desenvolvimento, ainda que lento, é meticuloso e frígido. As coisas acontecem porque têm de acontecer, e você, mero leitor, nada pode fazer para mudá-las. Às vezes, somos surpreendidos por uma sequência de cenas que nos faz pensar que aquilo poderia estar acontecendo a qualquer pessoa, pois a fantasia do cenário mal é citada nas situações do cotidiano, e estas, por sua vez, são o ponto forte da narrativa. Quando mais próxima do desfecho, vemos a história circundar verdadeiramente as terras fantasiosas e surreais, mas é fato afirmar que a característica mais fascinante da Light Novel é o modo como a autora trata das situações rotineiras, das brigas, dos sorrisos mascarados, do orgulho que nos faz agir impulsivamente por vezes, da dificuldade em se admitir um erro que sabemos que é nossa culpa, entre outros casos.
Tarot Café - A Caçada Selvagem tem suas 204 páginas, ou seja, é uma novela curta, de leitura rápida, ainda que exija uma atenção delicada. Ao fim, encontramos ainda um quadrinho especialmente produzido para a Novel, intitulado Constance, e tenho que admitir que é um conto que muito me agradou, tanto pelo roteiro quanto pela arte gótica e impecável da desenhista. Pelo preço baixo oferecido pela editora NewPop, deixo aqui a recomendação para quem puder adquirir a novela: é certo que não vai se arrepender. E eu ainda fiquei na curiosidade de encontrar os sete volumes do mangá, pra saber se o roteiro segue a mesma linha da novela ou se se envolve com temas muito diferentes.
Quem sabe um dia eu também faça uma leitura, não é?

quinta-feira, 28 de março de 2013

Projeto Multimídia Red Luna



É pessoal, quando eu digo que o Brasil está crescendo no ramo da fantasia, algumas pessoas teimam em não acreditar! Para dar um exemplo grandioso dessa evolução, todo mundo deveria conhecer o projeto Red Luna, uma história fantástica sobre vampiros de três raças, Devas, Varnis e Auras, que acaba de ter o seu primeiro livro publicado pela Editora Gutemberg, acompanhado de uma história em quadrinhos de formato digital, e já tem outros dois livros da trilogia inicial preparados.



Red Luna é um projeto multimídia, ou seja, ainda veremos mais quadrinhos, e quem sabe até mesmo jogos e outros tipos de histórias, já que o cenário é imenso e o roteiro criativo e bem trabalhado pode render frutos inimagináveis! Se você ainda não conhece o projeto, dê uma olhada na PÁGINA DO FACEBOOK do Red Luna, ou mesmo no SITE OFICIAL. Se deseja adquirir o primeiro livro da trilogia, A Biblioteca de Czar, recomendo comprá-lo na SARAIVA. Só não deixe de conferir o Universo Red Luna e apoiar essa iniciativa grandiosa que os desenvolvedores tiveram!






sábado, 23 de março de 2013

A Garota que não Sonhava



Postagem curtinha, só pra divulgar o meu mais novo trabalho: A Garota que não Sonhava. Trata-se de um livreto infantil, com suas 50 páginas, que conta a história de Luana, uma garota que, até então, nunca teve um sonho em sua vida. Para ajudá-la, Sonhador, o filho de Morfeu, Rei dos Sonhos, recebe a missão de aprender as funções de seu pai, e é aí que toda a história tem início.


Confesso que adorei cada instante que passei escrevendo A Garota que não Sonhava. Sério, foi uma experiência fascinante me voltar para as crianças com os textos, tentar manter a escrita o mais simples possível, complicando vez ou outra só para auxiliá-los no aprendizado, colocando uma palavra nova aqui, outra ali, uma expressão mais complexa perdida no meio da simplicidade, coisas do tipo. Foi muito bom, e a todos escritores que nunca tentaram algo assim, recomendo que tentem, é uma coisa muito bacana! Recebi essa semana alguns exemplares em casa, e a qualidade da Liro se mostrou impressionante, eles estão de parabéns! E que essa seja somente a primeira de muitas histórias infantis que nascerão à frente!


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Coisas Frágeis 2 e Os Elefantes não Esquecem!

Minhas últimas leituras ainda não resenhadas foram, respectivamente, Os Elefantes não Esquecem, da nossa mestra do suspense policial, Agatha Christie, e Coisas Frágeis 2, do fabuloso Neil Gaiman. Como tenho tido pouco tempo para resenhar obras, não criei uma postagem para cada um dos livros, mas vou fazer o possível para comentar os pontos altos e baixos de cada obra nessa única postagem, só para não perder o costume de escrever sobre o que li.

Primeiramente, vamos a Os Elefantes não Esquecem.

Agatha Christie é um talento sem igual no gênero policial, isso é um fato. Mas, em Os Elefantes não Esquecem, tive a impressão de que a autora não estava 100% focada, ou dedicada, à escrita. A obra é agradável, prende atenção no nível de detalhamento da trama e afins, como de costume, mas não sei... falta algo. O final, que geralmente é surpreendente, não foi aquelas coisas, sequer me chocou, na verdade. A história em si é boa, a escrita é rápida e eficaz, mas, em certos pontos, a obra se torna exaustiva, e um livro curto, que poderia facilmente ser lido numa única tarde, acaba por afastar o leitor de tanto tempo assim em suas páginas. Resumindo, uma boa obra, sim, mas nem de longe comparável aos grandes clássicos da rainha do policial.


Agora, Coisas Frágeis 2.

Em sua segunda coletânea de contos, Neil Gaiman dá um show a parte com poemas, textos reflexivos e contos extremamente criativos. Dessa vez o autor sequer se limitou à fantasia urbana de costume, mas se afugentou em rimas, versos e estrofes, bem como num texto que mais me parece uma declaração de amor (Quando os discos voadores chegaram), muito bom por sinal! Fora isso, ressalto as histórias O Dia dos Namorados de Arlequim, bastante original, e Noivas Proibidas dos Escravos sem Rosto na Casa Secreta da Noite do Temível Desejo que, cá entre nós, é simplesmente fabulosa. Imaginar que a fantasia seja o cotidiano e que o nosso cotidiano seja a literatura fantástica de um escritor bizarro é algo sombrio e insano, digno de Gaiman e somente dele. Coisas Frágeis 2 foi um livro que devorei também, sem nem mesmo perceber a passagem de tempo. É óbvio que existem alguns textos mais fracos, mas nada que desanime o leitor a continuar. Recomendadíssimo!

Espero que, nas próximas leituras, consiga tempo para resenhar os livros individualmente, como tenho feito até então. Se bem que, agora, nem mesmo sei o que ler. Fico aqui na espera de O Código Élfico, do Leonel Caldela, que deve ser lançado em breve. Enfim, boa leitura a quem planeja se aventurar nas páginas de uma boa obra, e boa sorte a quem procura uma boa obra para se aventurar!

O Código Élfico, novo romance de Leonel Caldela


Não sei quanto a você, leitor, mas eu sou inteiramente viciado na escrita de Leonel Caldela, um cara que surgiu do nada e se enfiou de cabeça com a Trilogia Tormenta, três livros ótimos que mudaram uma geração de jogadores de rpg brasileiros, e depois, de quebra, ainda embasbacou meio mundo com a série Terra de Urag, composta por dois livros, onde conhecemos Atreu, Jocasta, Iago e tantos outros personagens nada carismáticos, mas surpreendentemente cativantes. Agora, como se não bastasse o destaque positivo no medievalismo (bem como nas citações de um futuro tecnológico, ouso dizer), Leonel decidiu se aventurar com outra temática: a fantasia urbana. Sediado na editora Fantasy - Casa da Palavra, do ilustre Raphael Draccon, O Código Élfico nos levará a um mundo que, como o próprio autor comentou, mistura fantasia com terror lovecraftiano, lendas urbanas e assassinos em série, além de muitas outras coisas. Confiram mais detalhes no SITE OFICIAL do Caldela, que tem nos agraciado com uma série de postagem sobre seu novo universo, e entre na fila de espera para adquirir o novo romance desde já!

sábado, 5 de janeiro de 2013

Origem dos Guardiões e William Joyce



Todo mundo tá cansado de ler boas resenhas sobre essa nova animação da Dream Works, A Origem dos Guardiões, não é?



Eu logo devo trazer uma resenha sobre o filme para o blog também. Agora, no entanto, não é sobre isso que pretendo falar. Venho nesta postagem no intuito de divulgar uma coisa que pouca gente sabe: Rise of the Guardians (nome original) não foi uma ideia própria da Dream Works. Se você pensava que eles tinham se superado no roteiro, se enganou, assim como eu me enganei antes de descobrir A Origem da Origem dos Guardiões (ufa!). Trata-se da obra 'The Guardians of Childhood', de William Joyce, uma série que transforma os clássicos infantis em guerreiros de histórias fantásticas.



Você pode conferir o trabalho de William Joyce no site oficial da série, que é este AQUI. É claro que também encontramos alguma coisa no Wikipedia e também na Wiki Oficial dos guardiões, mas posso lhes adiantar algumas informações: até então, temos 6 livros lançados pela série de Joyce, sendo eles histórias individuais. O primeiro deles foi lançado em 2011 (Nicholas St. North e a Batalha do Rei dos Pesadelos), seguido de perto por E. Aster Bunnymund e os Ovos Guerreiros no Centro da Terra e Toothiana: Rainha do Exército de Fadas do Dente, ambos de 2012, e também do Livro de Ilustrações Sandman: A História de Sanderson Mansnoozie. Também como livro de ilustrações, temos O Homem na Lua, de 2011. Para 2013, William Joyce promete Sandman e a Guerra dos Sonhos, a história individual do Mestre Sonhador.



Além destas informações, é possível encontrar muito mais sobre o autor e seus trabalhos no SITE OFICIAL.


E é isso aí, pessoas, achei digno dividir com vocês sobre essa série fantástica que inspirou um filme ainda mais fantástico! Fiquem de olho que, com o sucesso de A Origem dos Guardiões, não é de se duvidar que os livros de Joyce cheguem rapidamente ao Brasil. Quando isso acontecer, eu certamente já estarei esperando pelos guardiões da juventude.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Resenha de Livro - A Sombra no Sol, de Eric Novello


Ícaro, de acordo com seu próprio criador, fora um personagem criado num devaneio de uma depressão assombrosa. O garoto de programa que atendia quaisquer clientes por seu preço enquanto buscava uma finalidade em sua vida ganhou forma, tom e cores nos minicontos desenvolvidos digitalmente pelo autor, postados num site previamente e, agora, reunidos, girando em torno de uma trama maior, num livro publicado pela Draco, intitulado A Sombra no Sol. Este foi o último livro lido por mim nesta semana, e é sobre ele que comentarei a seguir.
Em A Sombra no Sol, acompanhamos Armando, o proprietário do bar Neon Azul (que protagoniza o romance homônimo do autor, também publicado pela Draco em 2010), em sua busca por Ícaro após a morte do garoto de programa. Ele leva consigo um líquido peculiar, mas sabe que, para que o efeito seja o esperado, é necessário que ele conheça o destinatário. Nada melhor para isso do que ler o diário de Ícaro, conhecendo sua vida, suas máscaras e suas divagações, e é isso o que Armando faz.
Cada texto nos apresenta uma perspectiva depressiva e atípica sobre situações das mais variadas, desde cenas de sexo violento, agradável, conversas de bar e similares. Ícaro tem diversos contatos pelas noites, e isso nos garante personagens de passagens velozes, outros mais marcantes, outros presentes e ausentes ao mesmo tempo. A leitura é admirável, pois o Eric conseguiu deixar cada texto com um linguajar polido e culto, mesmo quando as descrições tendem a perversões e coisas do tipo, e algumas das frases do pensamento de Ícaro são realmente marcantes como pensamentos de uma vida toda!
Como ponto negativo, é notável ressaltar que o livro é apenas isso: cenas dispersas entre as leituras de um diário, o que pode deixar alguns leitores desanimados para os acontecimentos. É claro que isso também ocasiona uma leitura mais simplória e ágil: com suas 118 páginas, terminei A Sombra no Sol em apenas um dia, sem dificuldade ou dor de cabeça. E como disse previamente, há passagens que dão inspiração, que cheiram ao estado do autor no momento da escrita, e isso é bom. Poucas pessoas conseguem transparecer os sentimentos através dos textos. Quem consegue, garante uma leitura emotiva e tocante, então parabéns ao Eric pelo livro, que pode não ser um dos meus favoritos pelo estilo, mas certamente foi uma leitura que me garantiu experiências diferentes e inesquecíveis.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Resenha de Livro - Coisas Frágeis


Volto em outra resenha para reafirmar o que você, que acompanha o blog, sabe há tempos: sou um fã assíduo de Neil Gaiman.
Após a conclusão de Fios de Prata, do Draccon, encontrei em meu armário o primeiro volume de Coisas Frágeis, uma coletânea de contos do mesmo autor de Coraline, Stardust, Sandman e Deuses Americanos, e bom, nem preciso dizer que devorei o livro. Demorei pouco mais de dois dias para terminar as 205 páginas que nos levam acerca das histórias fabulosas trabalhadas por Gaiman, e ao concluir, a sensação é a de um vazio imenso. Existem histórias fantásticas, outras nem tanto, mas todas elas têm sua criatividade e originalidade, e claramente falando, todas elas fascinam. Gaiman é um poço de ideias, das mais insanas às mais agradáveis, das mais bonitas às mais traumáticas, e é isso o que faz de uma coletânea de contos de sua autoria a coisa mágica que foi Coisas Frágeis para mim.
O primeiro marco deste livro é saber que grande parte dos contos que se encontram em suas páginas não são novos, nem mesmo foram feitos para o livro propriamente dito. Quase todos eles compuseram um livro ou uma antologia distinta, e agora estão reunidos num mesmo livro, para facilitar a leitura. Alguns, como no caso de Golias, vêm de lugares ainda mais distantes, como o site do filme Matrix (o conto é um trabalho de Gaiman feito antes do lançamento do primeiro filme, e cá entre nós, não deixe nada a desejar!). Todos eles, no entanto, deixam suas marcas após a conclusão da leitura, e cabe a mim ressaltar apenas alguns, os mais marcantes na minha opinião.
Logo de início, em Um Estudo em Esmeralda, temos uma ambientação noir no maior estilo Lovecraft, ao mesmo tempo em que encontramos personagens cult, simpaticamente associados a Sherlock Holmes. Combinar os mistérios enrolados do terror lovecraftiano com as soluções lógicas e a sabedoria absurda do maior detetive de todos os tempos é um trabalho grandioso, unicamente disponível nas mãos de Gaiman. Em seguida, encontramos A Vez de Outubro, um conto produzido no intuito de preparar Gaiman para a escrita de O Livro do Cemitério (resenhado aqui no blog também), e nos deparamos com os meses do ao retratados na figura personificada de suas características. Em Lembranças e Tesouros, a narrativa em primeira pessoa do ponto de vista de um psicopata alucinado e de índole duvidosa nos faz enojar o personagem e seus atos, mas nos deixa apaixonados pelo cotidiano conturbado retratado pelo autor, que nos mostra mais uma vez que ele pode ser criativo e nauseante ao mesmo tempo. Como Conversar com Garotas em Festas deixa aquela sensação atípica de filmes do Steven Spielberg, mas Gaiman guarda o mistério apenas para si, e nunca saberemos se a festa se tratava de uma reunião de alienígenas ou coisas do tipo. Por fim, em O Monarca do Vale, os leitores de Deuses Americanos (também resenhado no blog) reencontram Shadow em mais uma aventura obscura com deuses e mitos.
Se preciso escolher um conto para indicar como ponto negativo na história, diria que era O Problema de Susan. Ele apresenta um final um tanto quanto desconexo, mas nem mesmo isso faz da história ruim. É que realmente me sinto no dever de indicar um conto como ponto negativo, já que faz parte da resenha mostrar as partes ruins também, mas enfim...
Se você procura o criativo, sem medo de ousar ou de inventar novas situações, Coisas Frágeis é um prato cheio! Lá você encontrará contos de diversos estilos, sempre banhados de humor negro, cotidiano e fantástico entrelaçados e uma leve pitada de obscuridade. Este é Neil Gaiman, sempre gênio, sempre ilustre, e cá entre nós, não vejo a hora de adquirir o segundo volume da coletânea para desbravar novas ideias desse autor fabuloso.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Resenha de Livro - Fios de Prata




Não é de hoje que conhecemos Raphael Draccon por sua criatividade e seus trabalhos fantásticos. Desde que se uniu à Leya, a editora cresceu bastante, seja pelo sucesso iminente da trilogia Dragões de Éter, seja pelas vendas elevadas de Game of Thrones. Entretanto, até então, nenhum dos trabalhos do autor tinha me chamado tanta atenção quanto este último, disponibilizado na Bienal do Livro de 2012, com o título chamativo de Fios de Prata – Reconstruindo Sandman.
O novo romance de Draccon trata de um tema impossível de se tornar clichê: sonhos. Muita gente já narrou histórias sobre sonhos, inclusive Neil Gaiman, com o grande trabalho de Sandman, o quadrinho adulto mais badalado do mundo, mas todas essas histórias sempre têm sua originalidade. Quando tratamos de sonhos, podemos ser o que quisermos, escrever sobre tudo e sobre todos. Nada é fantasia o suficiente para o Sonhar, e foi assim que Draccon fez de Alejjo, o jogador mais caro do mundo, um guerreiro sonhador conhecido como O Santo, portador de uma Masamune e da luz que ilumina o inferno, sem que isso parecesse impossível ou inviável.
Acompanhando Mikael Santiago, um jogador brasileiro prestes a fechar negócio com um clube francês no que pode ser a transição futebolística mais cara do mundo, vemos o nascimento de sua paixão platônica por Ariana, a nova Daiane dos Santos da ginástica olímpica, capaz de saltos ainda mais incríveis. Enquanto os dois se envolvem, os Planos dos Sonhos desenrolam uma guerra de proporções épicas pelo Sonhar, onde três deuses e o Anjo dos Sonhos têm de defender seus domínios, cada qual à sua maneira, para evitar o caos.


Neste cenário fantástico, Draccon abusa das referências e citações, deixando transparecer diversas similaridades com enredos de outros autores, famosos ou não, e citando-os muitas vezes em diálogos e passagens no sequenciamento das descrições. O cenário se prova pensado para apresentar-nos uma visão artística dos sonhos e até mesmo do Inferno, e muito agrada nas apresentações. Ainda existem descrições grandes demais e paradas cinematográficas que, em primeiros instantes, agradam, mas logo se tornam exaustivas, porém nada disso tira o gracejo e o agrado que o romance tem.
Para aqueles que admiram tais histórias, em especial o famosíssimo Sandman de Gaiman, Fios de Prata é um livro que muito agradará. Ele tem o seu modo de narrar os sonhos e os acontecimentos desencadeados por estes, numa nova apresentação, num novo mundo imaginário, com deuses e criaturas incríveis! A leitura anima, mesmo que os mistérios não sejam grandes o suficiente para lhe deixar empolgados com as revelações, e as cenas de batalha são bem descritas, bem como as passagens de diversas pessoas em situações cotidianas (atípicas ou não) ao redor do mundo, passagens essas que se alteram (ou não) de acordo com os acontecimentos da guerra que ocorre no Sonhar. Fica a dica para os amantes da fantasia urbana e medieval, e também para aqueles que deleitam-se nos roteiros sonhadores e sem limites. Com tantos personagens marcantes e uma história de planejamento ímpar, Draccon consegue, nas 350 páginas de Fios de Prata, nos cativar com uma história tão bela, senão ainda mais bela (no que eu carinhosamente aposto), que sua série anterior, Dragões de Éter.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Livros - Os Filhos de Anansi



Como toda resenha dos livros de certos autores, costumo inciar dizendo que sou um imenso suspeito para comentar. Sou particularmente vidrado nos escritos de Neil Gaiman: o cara manda muito bem, e é impossível contrariar essas palavras. Mas vou fazer o possível para ser justo e objetivo na resenha de Os Filhos de Anansi, romance pseudo-continuação de Deuses Americanos, que se utiliza do mesmo tipo de cenário (deuses antigos num mundo moderno, abusando de situações cotidianas e do humor americanizado) para narrar uma história grandiosa e admirável.


Antes de tudo, não espere por um livro 'bonitinho'. Nada que se origina na mente perturbada do Gaiman é 'bonitinho', então não é esse tipo de história que você vai encontrar aqui. Os Filhos de Anansi tem sua fantasia obscura e seus elementos surreais, mas também tem muito do que o cotidiano tem de pior: álcool, festejos descontrolados, traições, triângulos amorosos, paixões momentâneas, coisas assim. Isso só deixa a história com um tom de realismo que fantasia alguma consegue mostrar, e cá entre nós, é necessário um trabalho engenhoso para manter as linhas da realidade numa ficção viajante como a obra de Gaiman.
Acompanhamos, dessa vez, Fat Charlie, um homem atípico e tímido que planeja se casar com Rosie, uma garota aparentemente comum, mundana e sem graça, com uma mãe extremamente chata e metida onde não deve. Enquanto escolhem os convidados para o casamento, Rosie insiste que Fat Charlie deve convidar seu pai, o Sr. Nancy (e aqui todos aqueles que leram Deuses Americanos reconhecerão um dos personagens interessantes da obra anterior, mas cabe a mim citar que a leitura do romance de origem não altera o entendimento deste livro), mas ele acaba por descobrir de uma maneira inusitada que o velho acaba de falecer. Viajando para o velório de seu genitor, Fat Charlie descobre o que parecia uma imensa mentira: ele tem um irmão perdido por aí. E é quando Spider aparece que as coisas começam a fugir de controle.
Não só entre os pontos chave da história giram os melhores enredos. Temos diversos personagens interessantes espalhados pelo desenrolar de Os Filhos de Anansi, como Daisy, Coats e o casal Morris. Tudo acontece de maneira inóspita e distinta, e então as coisas começam a se enroscar numa teia embaraçosa e abrupta, até alcançar um desfecho que não chega a impressionar pela surpresa (não se trata de um romance policial, veja bem), mas impressiona pela habilidade do autor de alcançar um final épico no metodismo tradicional da vivência familiar. Gaiman é assim, o obscuro no que é transparente, o chocante no que é natural, e Os Filhos de Anansi não seria diferente. Mas isso não nos deixa sedentos por passagens incríveis: veja bem, uma das cenas próximas do final, envolvendo Fat Charlie, Daisy, uma cantoria improvisada e um limão, se tornou objetivamente a minha cena favorita da obra, e uma das cenas que mais me impressionou num livro até então! A descrição, simples porém minuciosa, e o sequenciamento das ações é de deixar qualquer escritor que se preze com os olhos trêmulos pela inveja, mas também causa nos leitores a sensação de admiração pela habilidade do autor, e nisso, concordemos, Gaiman é ótimo.
Ao término de Os Filhos de Anansi, resta apenas uma tristeza: ele era o último livro do Neil Gaiman que eu tinha para ler. Agora terei de me contentar com outros autores até encontrar um novo trabalho deste artista das palavras. É claro que existem diversos outros nomes que muito me agradam, e eu sempre aprecio dar uma chance a nomes desconhecidos, e muitas vezes me surpreendo com a qualidade dos trabalhos que encontro em páginas errôneas por aí, mas é um fato de que eu jamais encontrarei um autor que me deixe tão maravilhado quanto a mente perspicaz e insana por trás da criação de Sandman.
Fica a dica para você, leitor, que procura sequências de um cotidiano conturbado misturado com aquela fantasia temperada e sombria, mas aconchegante e cômoda. Recomendadíssimo!

domingo, 18 de novembro de 2012

Resenha - Lugar Nenhum, de Neil Gaiman

Todo mundo sabe que eu não escondo uma paixão incomum pelos trabalhos do Neil Gaiman. Desde que conheci Sandman, incluindo as passagens velozes por Deuses Americanos, O Livro do Cemitério, Coraline e Mirror Mask (A Máscara de Ilusões), sempre admirei o trabalho do autor, e não poderia ser diferente na última obra que tive contato: Lugar Nenhum, um romance que se originou numa minissérie de 6 episódios, ampliando a trama e criando um cenário único na Londres de Baixo, onde as estações são representadas por formas de seus nomes, e tudo é diferente do que parece ser.

Lugar Nenhum nos conta a história de Richard, um homem que chegou a Londres a algum tempo (trecho apresentado no primeiro capítulo, que funciona como um prólogo para o restante da história) e tenta viver sua vida da melhor maneira ao lado de Jéssica, sua namorada, quase noiva, numa espécie de relacionamento distante do perfeito, mas útil para a finalidade que ambos buscam. Num dia como outro qualquer, enquanto Jess e Richard se dirigem a um jantar importante para a moça, Richard para para socorrer uma garota ferida, e isso faz com que Jess opte por terminar o compromisso que eles tinham. Não bastasse isso, a partir do dia seguinte, as pessoas que Richard conhecia começam a tratá-lo como se tivessem-no esquecido, e daí para frente as coisas só ficam piores e piores...
Com personagens marcantes e únicos, como as inexplicáveis lendas vivas, Senhor Croup e Senhor Vandemar, a estática Hunter e o cavaleiro mais Dom Quixote da história, Marques de Carabas, seguimos na viagem de Richard, que acaba se juntando com Door, uma garota oriunda de uma família com o Dom de abrir portas, na busca por respostas pela morte de seus pais. É lá que eles acabam encontrando pistas falsas, armações, traidores e similares, e o Anjo Inslington parece ser uma boa opção para resolver todo esse caso. Mas nada é o que parece ser na Londres de Baixo.
O fato de utilizar um lado espelhado de uma cidade existente para a fantasia negra já se tornou um clichê (o qual eu mesmo já utilizei, admito), mas nunca se torna massante. Cada autor o faz de uma maneira, e Gaiman conseguiu trabalhar a criatividade ao limite na elaboração dos cenários existentes sob cada estação. A 'Seven Sister' tem realmente sete irmãs, a Earl's Court é representada por uma Corte Real, a Black Friars tem seus Monges Negros e o Anjo Inslington também tem suas referências nas estações. Isso faz com que o leitor se ambiente a Londres de uma maneira inesperada, simétrica e, ouso dizer, mágica. Deste modo, conforme Door e seu grupo avançam pelos desafios e pelo Mercado que sempre muda de lugar, conhecemos personalidades, nomes importantes, lugares marcantes e coisas atípicas de outra Londres, a Londres do Neil, a Londres de Lugar Nenhum, e ela parece tão interessante, senão mais, do que a Londres de Cima, o lugar para onde Richard deseja voltar de qualquer modo.
Lugar Nenhum tem a narrativa típica de Gaiman, bastante próxima dos roteiros de quadrinhos, seu marco principal, portanto não espere nenhum enrosco nas descrições. As coisas acontecem rápido, rápido demais às vezes, mas isso nos livra de perdas de tempo desnecessárias. Eu, particularmente falando, acho bastante digna tal escrita, mas cada um tem seu gosto, sabemos disso, e resta somente a leitura para que tirem suas próprias conclusões. Posso adiantar, no entanto, que não perderão tempo algum na leitura de Lugar Nenhum; muito pelo contrário: ganharão uma experiência formidável por um cenário desenvolvido por uma das mentes mais fabulosas dentre os escritores.
Até a próxima!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Resenha ~ Dragões de Éter - Caçadores de Bruxas

Raphael Draccon é, para os leitores e escritores do Brasil, um mito. Não o único, claro, pois temos outros nomes de igual ou maior valor na literatura fantástica, mas ele certamente se destaca pelas produções e pelo enfoque nos trabalhos atípicos dos textos fantasiosos. Eu o respeito e agradeço por todo o envolvimento com o público, e acima de tudo por auxiliar no desenvolvimento fantástico no Brasil, que agora aceita muito melhor obras do gênero oriundas de seus próprios moradores, o que, anos atrás, parecia uma ideia bizarra e surreal.
Por que estou dizendo isso?

Porque, apesar de respeitá-lo tanto, e também de possuir a trilogia Dragões de Éter e o recente Fios de Prata no meu armário de leitura, eu nunca havia lido nenhum trabalho do Draccon. Já vi contos, claro, mas não um romance, não um livro. E foi isso o que resolvi fazer há algum tempo: ler Caçadores de Bruxas, o primeiro livro da saga Dragões de Éter, responsável por alavancar o nome de Draccon.

Caçadores de Bruxas se desenvolve de maneira gradativa, às vezes lento, às vezes rápido, mas sempre se desenvolve. A primeira coisa que tinha em mente ao iniciar a leitura de tal livro era que, por maior que fosse o renome do autor, aquela era a primeira obra de grande porte de sua carreira (tecnicamente falando), e obviamente ele melhoraria ao longo dos anos, pois é isso o que escritores fazem: eles melhoram. Seria o mesmo que se atirar sobre o primeiro livro da série Harry Potter, um fenômeno mundial praticamente inalcançável, e esperar que ele seja o melhor de todos. Deste modo, deparei-me com uma obra de qualidade, sim, mas que deixa a desejar se comparada às sequências, e isso é um ótimo sinal!
Deixando de lado tal argumento, sigamos ao livro em si.
Caçadores de Bruxas nos apresenta diversos personagens que, de uma forma ou de outra, influenciam no resultado final da trama principal. Temos os irmãos Hansom, a família do Rei Primo, a rainha (ou seria Rainha?) Terra, os príncipes, a mágica das Narin e muitos outros (incluindo um troll guardião e um mestre anão!). Essa mistura ocasiona diversas passagens atípicas e satisfatórias, certamente, mas tomar conta de tantos personagens assim não é algo simples. Draccon o fez, sim, mas talvez não tão bem quanto o faça atualmente, em seus trabalhos posteriores. É possível se perder em algumas trocas de capítulos, bem como se angustiar por uma passagem de um personagem ser tão pequena se comparada à de outro, logo em seguida. São dificuldades que ele sabia que enfrentaria, mas ainda assim não teve medo de arriscar.
Falemos então sobre a narrativa de Draccon. O estilo de escrita é agradável, aquela nobre arte de se narrar uma história como se o narrador fosse um personagem que não participa da mesma, mas a conta, como os avôs contaram histórias para você um dia, com comentários e similares. Acho esse tipo de escrita muito interessante, e nesse ponto Draccon se destaca: o narrador é bem vivo, participativo e interessante, por mais que sua faceta só nos seja revelada nas últimas páginas do livro (ou, para os que adquiriram as primeiras edições, na última página mesmo!). Sobre a escrita, podemos tratá-la como interessante, mas o ritmo muda bastante e, por vezes, isso pode te impulsionar a ler mais, mas também pode te impedir de continuar por aquele dia. Eu, particularmente falando, demorei um pouco para terminar de ler as mais de 400 páginas de Caçadores de Bruxas, o que é incomum. Não por desinteresse ou coisa do tipo, mas pelos altos e baixos, uma oscilação que pode parecer incômoda, mas é muito mais comum do que se imagina.

Tratando sobre os personagens, o cenário e os acontecimentos, tudo isso se mostra bastante agradável, com um planejamento grandioso por parte do autor. A interação dos grandes nomes com os pequenos heróis da trama é simplista, mas eficiente e precisa, e não deixa aquela impressão da 'reunião forçada que acontece numa taverna', famosa dos rpg's de cenários próximos a Nova Ether. Obviamente, alguns dos personagens se destacam entre os demais, e alguns ficam apagados. Exemplificando ambas situações, citaria Snail Galford, o ladrão negro, e Liriel, a ladra com certos dons mágicos, são personagens com sequências interessantíssimas, mas o próprio João Hansom parece um peso de papel para o enredo, sendo importante, claro, mas sem exercer grande participação nos fatos. Felizmente podemos apontar mais casos de destaques positivos do que de 'esquecimento' de personagens, o que prova que, mesmo em seu primeiro romance, Draccon tinha facilidade com o desenvolvimento de relações entre personagens de cenários fantásticos, mesmo que em grande quantidade.
Finalizando, é fato que Caçadores de Bruxas não seja o melhor de Raphael Draccon, mas é um livro agradável de se ler, com pontos positivos e negativos, como todos os outros. Confesso que não me impressionei muito com o final, que chegou a ser bastante previsível, inclusive, mas passagens anteriores foram impactantes e certas cenas causam um impressionismo bom, aquele que te faz admirar o autor por ousar, por ser quem é e não se importar com mais nada. Deixo a leitura como recomendação aos amantes do medievalismo que se perde no steampunk ou cenários típicos. Para terminar, classificando o livro numa nota de 0 a 10, acredito que um 7,5 expressaria bem minha opinião.
Até a próxima!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Novo Livro + Prefácio

É minha gente, declaro oficialmente iniciado, depois de uma grande pausa nos trabalhos de grande porte, meu mais novo trabalho que almeja se tornar uma novela ou um romance. O nome provisório, Persona, vem do grego, e se relaciona a máscaras, em suma àquelas utilizadas pelos artistas em peças de teatro. A história é uma fantasia urbana com toques de drama e romance, mas conta com uma crítica camuflada nos capítulos, uma crítica à sociedade que vivenciamos atualmente, onde tudo tem dois lados e nada é o que parece ser.
Trago-vos hoje o texto que, provisoriamente, tornou-se o Prefácio desta nova história.


Prefácio


Há máscaras por toda parte.
Na realidade que nos circunda em tempos modernos, tudo é mascarado, tudo tem suas facetas. O amor se disfarça na atração, a amizade no interesse, princípios se perdem em desfechos, não mais existem meios. Presenciamos —e tomo por direito acreditar que alguém além de mim tenha notado tal fato —as alterações desenfreadas na estética da vida, que agora se torna mais importante do que a estrutura familiar, e tais mudanças deixaram rastros, cicatrizes que o mundo se mostra incapaz de restaurar.
E, neste exato momento, você talvez esteja se perguntando o porquê de tais palavras.
Persona, para os gregos, nada mais é do que uma máscara. Mas o que é uma máscara para os demais? Um simples equipamento que cumpre a mísera finalidade de esconder o rosto, cobrir os olhos e os lábios, mascarar a verdade? Uma máscara é mais do que isso. Uma máscara é um esconderijo, é um abrigo para as mais falsas realidades, para as mais reais mentiras, é um canto escuro que luz alguma pode iluminar. Uma máscara é o breu que nos impede de enxergar o que amamos e que, por vezes, está ali, abaixo das nossas narinas avantajadas, colado em nossos olhos inseguros e falhos.
Uma máscara é isso: uma máscara.
Tendo em mente as mudanças que os anos causaram no mundo, entendamos que há mascaras por toda parte, sim, e elas cumprem suas funções. Infelizmente, ao menos para mim, cumprem suas funções melhor do que muitas pessoas o fazem. Mascarando, é fácil fingir que tudo está bem, que eu não fiz nada de errado àquela garota, que aquele choro que ouvi não foi minha culpa, que palavras e atitudes não mudaram a vida daquele amigo que se afastou. Mascarando, é muito simples afastar adoráveis presenças por dinheiro e ambições, é muito fácil ignorar as perdas do caminho, os tropeços, as hesitações.
Mas assim é a vida, toda de Persona. Este texto que tem em mãos, agora, é nada além de uma crítica, uma revolta, uma filosofia, arrisco dizer. Enquanto refletimos sobre as máscaras que nos cercam, viajamos numa fantasia delicada, urbana e sugestiva, onde as coisas podem parecer simples, mas nada é o que parece ser. Enquanto viajamos num mundo que não é o nosso, desbravamos as fronteiras do irreal, afrontando o incomum e o mundano de maneira a compreender o incompreensível, ou não. A viagem é a mesma para todos, mas, para cada um, distintos são os ensinamentos.
Cá estou eu, como somente mais um mascarado, oferecendo-lhe a mão para guiá-lo por um passeio que talvez mude sua vida, ou talvez não mude nada.
Ah, sim, eu também sou um mascarado. Mas qual o problema disso?
Há máscaras por toda parte, de qualquer forma.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Fios de Prata, de Raphael Draccon

Recentemente adquiri um novo livro do nosso ilustríssimo Raphael Draccon, autor renomado pela trilogia Dragões de Éter. Trata-se de Fios de Prata - Reconstruindo Sandman, uma obra cuja temática me agradou de imediato, lidando com os deuses do sonho e os planos místicos de suas existências, ao mesmo tempo em que assistimos a empreitada de Allejo (que os mais atentos logo perceberão ser uma referência clara ao ídolo de mesmo nome, um jogador de futebol virtual que se tornou famoso no jogo International Super Star Soccer Deluxe, de Super Nintendo). Como podemos presumir ao ler o subtítulo, Draccon escolheu a mitologia grandiosa criada/alterada por Neil Gaiman na obra Sandman para ambientar seu cenário, o que, por si só, já é uma ousadia sem tamanho, e garante parcialmente o sucesso da obra, afinal de contas, a temática sombria e a fantasia criativa de Gaiman são fabulosos!
Fica a dica para quem curte esse tipo de leitura! Logo estarei lendo essa obra e postando uma resenha aqui no blog, certamente, mas não percam tempo, adquiram já os seus exemplares e mergulhem de cabeça nos planos do sonhar!

Confira a sinopse aqui:
“Tu inspiraste Rowling, e foi nas terras de Morpheus que se moldou Hogwarts. Tu inspiraste Tolkien, e foi nas terras de Phantasos que se anexaram as extensões de Terra-Média. Tu inspiraste Lovecraft e em minhas terras se fixou Miskatonic. Então eu te pergunto com sinceridade, anjo: até onde vai tua vontade de ser coadjuvante em um mundo de formas e pensamentos?”

Até a próxima!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

22ª Bienal do Livro de São Paulo



Maravilhado.
Foi assim que eu me senti quando andei pelos corredores tomados por pessoas na 22ª Bienal do Livro de São Paulo. Eu nunca havia visitado um evento de livros daquele porte, e ainda tive a oportunidade de fazê-lo de maneira especial: autografando Ragnarok - O Crepúsculo dos Dragões, livro que publiquei pela Editora Oráculo, no Selo Tecno Fantasy, após vencer um concurso de adaptação do quadrinho de mesmo nome.
Quem acompanha o blog já deve saber sobre o Ragnarok e a editora, mas não é esse o verdadeiro assunto da postagem.
Escrevo agora para desabafar a imensa satisfação de admirar todas aquelas estandes montadas unicamente no propósito de espalhar a cultura da leitura no nosso país. Não é segredo para ninguém que o Brasil não é o palácio dos leitores: pouca gente realmente gosta de ler. Pensando assim, ao ver o fluxo da movimentação no Anhembi naquele domingo, senti-me maravilhado como não esperava me sentir.
A sensação era realmente incrível!
Estandes e mais estandes de conteúdo variado, com livros para todos os gostos, faixas etárias e tipos de pessoas. Quadrinhos, romances, novelas, coletâneas, enciclopédias, menores livros do mundo, mangás, tinha de tudo lá! Eu me perdia, não pelo mapa organizado do lugar, mas eu me perdia ao girar no lugar, sem saber para onde olhar, o que ver primeiro. Tomando cuidado para não perder meu horário na estande da Oráculo/Delicatta, viajei em infinitos mundos pelas capas de infindáveis livros, cada qual mais bonito e marcante, e soube de imediato que, se pudesse, compraria muitos deles, até que não mais coubessem em minha casa.
Lá, vi também crianças, e isso me deixou admirado demais. Muitas delas se sentavam para ler ali mesmo, nos corredores, sem atrapalhar a passagem dos transeuntes. Elas abriam os livros recém-comprados pelos pais, apontavam as páginas, liam algumas em voz alta ou somente no pensamento, mas liam, e gostavam de ler. Eu não sei explicar o que senti naquele momento, mas aquilo me irradiou, enchendo de inspiração e de vontade de escrever. Estar naquele lugar, naquele mundo, foi a melhor coisa que poderia me acontecer. O "cheiro" da cultura, das ideias, da criatividade e da imaginação, tudo aquilo era tão fantástico que fazia qualquer um desejar cada vez mais fazer parte daquele mundo.
Assim, entre autores renomados ou veteranos de guerra, já acostumados com a batida violenta de nosso país, e novatos (como eu), autores de pouca experiência e escritores cujas portas ainda não forma abertas, vi o anseio das palavras circular como mágica, desejos oprimidos liberados em páginas e mais páginas em branco, contos e histórias narradas com primor por pessoas que enxergam muito além do que o mundo mostra e, ao mesmo tempo, apoiam todos os demais a admirar o mesmo que ele foi capaz de ver.
Eu poderia falar sobre a boa organização do evento, sobre a simpatia dos integrantes das estandes de grandes editoras e dos autores com maior experiência, sobre a recepção calorosa de autores que distribuíam autógrafos e auxiliares responsáveis pela divulgação de grandes projetos, do mesmo modo que poderia criticar a demora da praça de alimentaçaõ e do preço de certos alimentos, mas aqui, nessa postagem, eu não sou um crítico. Não faço uma resenha, não faço uma análise do evento.
Eu desabafo, aqui, toda a magnificência que encontrei na Bienal do Livro nesta data.
Essa foi a primeira, mas certamente participarei de todas as próximas, mesmo que somente para circular nas estandes e ver, outra vez, toda essa paixão pelos livros. Aproveito a postagem para agradecer imensamente ao pessoal da Oráculo, Claudio Muniz, Mariana Travieso e Jussara Gonzo, pela simpatia que me ofereceram na estande durante o tempo em que permaneci por lá. Agradeço também a todos que passaram por lá e comentaram, fotografaram ou mesmo curtiram os exemplares de Ragnarok disponíveis sobre a mesa. Eu não atraio centenas de leitores, mas os poucos que cruzaram a estande me deixaram felizes demais, tendo certeza de que escrever foi a melhor escolha que eu já fiz.
Para os veteranos da escrita, meus sinceros agradecimentos. Vocês são espelhos, tanto para os novos autores quanto para as crianças que apreciavam o evento e os livros, por mais que algumas delas sequer soubessem ler com perfeição.
Para nós, novatos, o caminho pode parecer árduo, mas não há prazer maior do que ver que, no topo, há uma recompensa grandiosa esperando, e todos têm competência para alcançá-la. Que sejamos fortes para nunca desistir!
Até a próxima!